Acho que já posso correr a volta da Pampulha ou a maratona de Nova York. Andar quinze quarteirões fumando em La Paz, talvez não seja pra qualquer um. Estou completamente encantado com esta cidade, que não se entrega ao meio termo. O ar sopra história, é um ar com personalidade (mesmo você duvidando que exista ar nos seus 3.600 metros), são ruas marcadas pela tradição com artesanato, comida, cultura e esgoto correndo a céu aberto. Quando, por acaso, estiver por aqui, com certeza não se passará despercebido: amor ou ódio em La Paz.
Foi caminhando aqui do centro administrativo na Plaza Murillo até a Plaza del estudiante, e não me pergunte porque caminhando, já que um taxi pra esse percurso não passaria de dois doláres (dá pra ver que quase não chego vivo lá). Começo a desconfiar que os bolivianos daqui tenham três pulmões.
Ainda não descobri o porque de visitar esta parte de La Paz, praticamente européia, como um bairro nobre de Belo Horizonte, mas já que estava por ali não resisti a nossa origem ocidental consumista e me entreguei a um sorvete de flocos, nada andino, sentado numa praça da área chique da cidade que conheci essa "Mini Mulher".
Conversava com um amigo e ela me olhava e ria. Não me contive e devolvi o riso e com a maior calma do mundo ela veio me perguntar. És brasileño?
Fiquei deslumbrado, imaginando: serão meus traços tupiniquins, minha áurea brasileira. Imagine, eu mineiro com esse jeito de achar que somos a gente mais especial do mundo, aumentado pelo vigor de ser brasileiro fora do Brasil. Seria meu gingado, perguntei a ela:
- Como tu sabes chiquita?
- Por la voz!
Vejam só, pensando mil coisas e para meu ego, o som lusitano que me entregou. Mas bom saber que o português foi ligado diretamente ao Brasil e não a Portugal.
Conversamos pouco, muito pouco. O suficiente pra saber que ela tinha seus 15 anos e trabalhava com algo parecido com enfermagem para ajudar em casa. Não havia tempo para estudar (muito comum, não?). Não acredito que não perguntei seu nome. Ela se foi rápido, provavelmente a caminho do trabalho.
Será que era perto dali? E se fosse a hora do lanche, ela ficou sem comer? Ela deu seu tempo pra mim. Não sei se ela se lembra deste brasileiro, certamente não.
Espero que esteja bem.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
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