sábado, 5 de junho de 2010

Digníssima uma ova.

Joan Miró

Associações ingratas para se apresentar uma pessoa sempre acontecem. Outras e umas são abomináveis, pelo menos para essa capa de pele e osso que escreve. Acontece de chegar seu amigo, conhecido, primo, vizinho e te apresenta o amigo, o filho ou o pai. Formas carinhosas nunca me fizeram sentir aquela "vergonha alheia". Diminutivos de nomes ou coisas do tipo, forma de demonstrar carinho, mesmo que brega. Mas é carinho. Aliás, nunca vi demonstração de afeto que não beire pelo menos o cantinho do brega ou do ridículo.

Mas, a apresentação que me revira o intestino, é quando, qualquer um, de qualquer espécie, vem apresentar seu novo troféu com o subtítulo de dignissíma. Já não bastasse o sentimento de posse com os "meus" e "minhas" que antecedem o sujeito. Meu namorado, minha mulher, minha esposa, meu companheiro. Até aí tudo bem, os meus e minhas servem como demarcação de território. Cachorro que mija na árvore pra mostrar que naquelas raizes, manda ele. A "minha" também faz parte de mim.

Agora, quando se supera a posse, a mostra, vem o sujeito e: essa é minha dignissíma esposa, ou pior diz só, dignissíma. Mas "dig" o que?. Você aparece pra mostrar ao mundo a coisa que te faz ficar livre pra se prender e anuncia: A minha dignissíma! Imagino na hora, um chefe de estado, embaixador, sei lá. Alguém de poder estabelecido, penso na troca, cadê? Tanto nome, tanto chamativo, pra anunciar de dignissíma. Que falta de intimidade é essa?

Lembre da troca. Em todos os sentidos, de fluidos, dinheiro, ofensas, saia dos prenomes que lembram a chacota. A data dos namorados se apresenta. Aposente, caso use nos encontros formais, a formalidade dos dignissímos. A pessoa ao seu lado não pode ser sua dignissíma, é cúmplice. Nem parceira, mas cúmplice do seus crimes sem culpados, do estado de sítio onde só cabem os dois, da ditadura despercebida do bem querer. (Falei que as demonstrações de afeto sempre beliscam o brega.)

Do blog do Carpinejar, segue cinco dicas para os dia dos namorados.

1. Não invente de levá-la a um motel. Permanecer em fila - ainda mais numa lomba - é somente preliminar que esfria a libido.

2. Não dê ursinho de pelúcia. Glória Pires já foi Tony Ramos duas vezes e não gostou da experiência.

3. Procure fazer um jantar em casa, à vontade, sem pressão. Restaurante parece agência de casamento, lotado, somente com mesinhas coladas umas nas outras. É impossível conversar.

4. Não compre calça ou alguma roupa que possa não servir, mesmo sabendo o número certo. Tudo o que ela precisa é não se sentir gorda.

5. Esqueça que é Dia dos Namorados e será finalmente espontâneo.

2 comentários:

  1. Belas dicas. Ou você acha que estou aprendendo a cozinhar pra sobreviver? Nada mais íntimo do que fazer algo do cotidiano a dois.

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  2. Só não consigo seguir seu blog, tá dando algum problema.

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