segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Belo Horizonte, uma cidadezinhona



114 anos. A terceira maior área metropolitana do Brasil, a sexta da América Latina. O que faz então Beagá ter ares interioranos, fazer o povo andar tranquilo na rua quando o trem do trânsito pega fogo? O que leva uma cidade com mais de dois milhões e meio de habitantes (quase seis milhões contando arredores), ter vendedor de queijo, pão e panela de pedra nas ruas?

Hoje Belo Horizonte faz 114 anos, talvez a resposta esteja aí. Por acaso você conhece três gerações de Belorizontinos? filho, pai e avó? Meus pais são do interior, os seus provavelmente, ou você deve ter vindo estudar por aqui há pouco tempo e também não leva Belo Horizonte na certidão de nascimento.

Tá certo, você pode ter nascido aqui, seus pais também, mas seus avós, eu duvido! O tempo de vida de Belo Horizonte ainda não proporcionou tal proeza. E você que veio daquela cidadezinha que todo amigo seu gosta de conhecer, porque parece a cidadezinha dele ou dos pais dele, está aqui em Beagá. Várias pessoas de várias cidades menores que fazem de Belo Horizonte uma "cidadezinnhona".

Andar quieto na rua, conversar gritando como se o quarteirão fosse seu, comprar cerveja, gilete, pilha, "masdetomate", alho, linguiça da roça, tudo no mesmo lugar ou pedir pra usar o banheiro de alguém que nunca viu. São coisas puramente normais pra quem veio habitar Belo Horizonte que com pouco mais de cem anos, faz tudo isso parecer rotineiro por aqui. A gente tem cara de interior, porque a gente é do interior (as raízes, estão ali, na sala de casa) você até pode descender de italianos ou portugueses. Certamente eles são do interior da Itália ou de Portugal.

E que as futuras gerações fiquem marcadas como a nossa, que Beagá seja metrópole só nos prédios.

Porque a identidade de Belo Horizonte é essa, ser familiar para qualquer um.

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